domingo, 12 de agosto de 2007

Cada laxista tem sua teoria absurda

A Folha tem um colunista chamado Marcos Nobre. É filósofo formado na USP e professor da Unicamp. Escreve às terças no jornal. Abaixo, em itálico, seguem trechos de seu artigo no jornal. Os comentários adiante são de Reinaldo Azevedo, colunista de Veja (www.reinaldoazevedo.com.br):

Tudo parece calmo novamente. As prisões voltaram a ser invisíveis. No entanto, os números insistem em desafiar essa aparente calmaria. Entre 1995 e 2007, em valores aproximados, o número de presos subiu de 68 mil para 320 mil. Nesse mesmo período, o número de encarcerados por 100 mil habitantes saltou de 74 para 183. O déficit de vagas no sistema prisional está hoje próximo de 130 mil. Isso mostra que a resposta habitual -penas mais severas e mais longas- não conseguiu até agora resolver o problema.

É mentira. Caiu o número de crimes em São Paulo, o que foi reconhecido pela Folha em editorial. Vou começar a achar que só eu leio os editoriais do jornal. O nobilíssimo faz supor que o número de presos por cem mil habitantes é muito grande no Brasil. Não é. No rico Japão, de fato, é bem mais baixo: 54 por 100 mil. Já no não menos rico Canadá, é mais do que o dobro: 116. Na Grã-Bretanha, 143. O México está perto do Brasil: 169. Nos EUA, são 715 presos por cem mil!!!
A criminalidade nos EUA diminuiu drasticamente, acreditem, quando se passou a prender mais. Não quero deixar Marcos Nobre chocado: mas bandido preso é melhor do que bandido solto — para quem não é bandido, é claro. Ele segue, naquela que é uma das maiores imposturas que já li:

Esses números mostram o preço social da estabilização brasileira. A superlotação das prisões é a outra face do Real e do modelo de desenvolvimento que inaugurou. As exportações e o investimento externo continuam crescendo na mesma proporção do aumento da violência. A desigualdade não cede senão em alguns milímetros.

O Plano Real é o culpado por haver mais presos no Brasil. Está dito ali. Ele estabeleceu uma relação entre investimento externo e exportação e violência. O que faz supor que, se exportarmos menos e se investirem menos no Brasil, a violência diminui.
(...)
Presos são cidadãs e cidadãos brasileiros que, além de privados de liberdade, são também privados de seus direitos políticos. Não podem votar. Se pudessem, a sociedade seria obrigada a ouvir o que têm a dizer.
Eu não quero ouvir o que os presos têm a dizer. Marcos Nobre quer. O que o impede? Presos são cidadãs e cidadãos que pagam o preço de terem cometido um crime. Têm de ser tratados com dignidade, mas não estão na posição de dar lição de moral à sociedade.

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